Perto do fim de se findar o início do mês, do ano.
E paro.
Paro para reler as cartas do meu pote de azeitona.
Paro para rever as fotos de infância, épocas irretornáveis que hoje são inerentes as portas do meu guarda-roupa.
Paro para olhar para o tempo e ver que ele não se importa,
não espera por ninguém,
tem linhas tortas
e seu fim vai mais além
daquilo que eu chamo de vida, daquilo que eu chamo de experiência.
E paro para olhar para as minhas escolhas, para os meus objetos e objetivos,
para aquilo que não conquistei e ficou no papel, meus adjetivos,
para meus instrumentos em cima da cama, seu trono.
Paro para reparar na briga dos outros e ver quão inútil é se importar
com coisas fúteis que só levam a perca de tempo, de paz.
Paro para tocar.
Colcheia.
Paro para notar que quem diz que me ama
tem uma visão tênue a respeito da minha graça artística. Entristeço-me. Paro.
Paro para escutar a chuva que cai no telhado do vizinho. Ela é igual a que cai aqui.
Paro para aconselhar, dizer o que penso, beijar a bochecha de quem me traz alegria
e é aí que me vejo, que me conheço, que me quero.
Paro para pensar nas minhas amizades, a maioria masculinas.
Paro para pensar nas minhas crianças, são flautas doces aos meus ouvidos.
Paro para pensar na minha mãe, a mulher da minha vida!
E paro para pensar em trocentos bilhões de coisas,
e quando vejo já pensei tanto
que meu cérebro já pensa por si só, me deixando iquieta, extressada e ansiosa.
E paro.
2 segundos.
Penso no que amo.
Paro.
Parábola.
2 segundos.
Não estudei, não estudei.
Parei.
Precisei de descanso,
fiz pouco descaso
da minha mente, do meu corpo,
me desgastei e num sopro
me fiz chorar de nervosismo,
agulhei palavras de egoísmo e
surtei, caí no sono.
E ainda assim, amanhecendo em meio a noite
não consegui ficar em paz.
Porque o que eu precisava era parar.
Parar.
Pare.

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O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a humildade.Provérbios 15:33