quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Não quero mais me ter.
Não quero mais me suportar.

Nem me sentir...
Estou perdida dentro de mim,
no fundo.

Ninguém vê.
Sou confusa demais pra mim mesma...
Quem sabe, isso não mude...
Quem sabe não.
E se acabará em silêncio..

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pá das lavras, algumas na mesa.

Joguei as palavras na mesa, como se jogam bilocas no chão...
E o que vi?

Vi você, vi eu, vi todo mundo.
Vi a palavra mais falante se dizer pelas outras palavras,
vi a palavra mais silenciosa calar as outras num gesto só.
Vi só algumas, foram poucas...
Mas, foram suficientes pra me ressaltar que a aparência não é nada,
que o finjir ainda existe, que o errar é comum de todos, com todos, num todo, por nada.
As palavras na mesa me mostraram que não adianta somente dize-las, mas vivê-las pra que todo esforço valha a pena.
Pra que o errar enfrequeça dentro e fora de mim, de nós.
As palavras da mesa também me revelaram algo que eu já sabia, isto é, não me revelaram nada, mas
foi o suficiente pra que dentro de mim eu não dissesse mais nada.
Porque em meio a tantas palavras, às vezes nenhuma é melhor que poucas. É melhor se calar, não dizer nada.
Porque as poucas podem ser de murmúrio, e se são assim
é melhor que não existam.
 As poucas podem revelar os desejos do inconsciente, talvez isso não seja interessante.

Palavras são para poucos, são para aqueles que sabem usá-las.
Palavras estão na boca de todo mundo, soltas, presas ou prontas para serem ditas.
Não obstante prefiro controlá-las, o que pode ser difícil para muitos e ás vezes para mim...

Juntei as palavras da mesa, por fim.
E o que me restou foi meu silêncio, pois o que precisava
ser dito, as palavras já o tinham feito.

sábado, 25 de setembro de 2010

Ci,ci! Ci de garras.

Ânsia por florestas, de florestas, ânsia  de ouvir o barulho de folhas secas sendo pisadas.
Que vontade de descobrir o já descoberto, de sentir o odor das árvores, de ver o pôr-do-sol... Vontade de sair dessa rotina de carros, de correria, de computadores, de celulares, de stress em alta agonia.
O mais inesperável é que sem eu esperar vivi alguns minutos dessa paz de calmidão, do verde das folhas me protegendo do amarelo-fogo do sol. 
E pra completar minha alegria, num milésimo de segundo, eu escuto as árvores chacoalharem de tantas cócegas, de uma vez só.
Eu tinha esquecido da existência delas... Fazia muito tempo que eu não as ouvia, as estupendas cigarras.
 
Eu dei dois passos e por trás de mim começaram a cantar do que jeito que só elas sabem me encantar. Queria ter visto elas de perto, mas sempre se escondem dos olhos vivos.
Cigarras sem maestro, independentes e afinadas!
Dá até uma inveja musical!
Seria legal se eu pudesse cantar junto a elas, como elas.

Um pato, um lago, o vento e o relógio. É, são dez pra sete e minha aula vai começar.
Pelo menos volto pra rotina mais tranquila, mais cigarra.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Hoje eu acordei meio vazia de mim,
eu queria ter me deixado em algum canto por aí.
Eu queria ter se livrado de mim, só por um instante.
Esse sofrimento de invernia é fruto da raiva que eu tenho quando faço algo que não deveria ser feito.
Hoje eu nem tive energia moral suficiente pra conversar com meu Pai, só troquei poucas palavras.
Me sinto sem mim agora...
Só me calei. Não quis conversar comigo hoje, quem sabe amanhã eu me perdoe.

sábado, 18 de setembro de 2010

Ciclo defunto de vida.

Cadê a vida? A pulsação?
Folhas secas, rostos molhados...
Céu em luto e minutos mortos.
Morrindo?
É, por quê não?
Morreu rindo, feliz.
Feliz porque ia viver...
Ia viver de tanto morrer!

Fez o que fez, amou que amou, quem o amou e quem o odiou.
Se doou, ajudou, pecou, transgrediu, teve suas felicidades.
E o que lhe resta agora é um buraco escuro, um pouco mais perto do lençol freático, mais pertos de góticos e couveiros.
Vai estar agora confortável, coberto de perfumes florais. Também vai usar eternamente uma roupa na qual  nunca pensou em comprar pra si. Vai viver só. Quer dizer, não tão só... terá vizinhos nas mesmas condições que ele.

As únicas coisas que poderá sentir serão as lágrimas que cairão no seu teto e as pisadas que farão tremer sua nova residência.
Com o tempo, ele se sentirá mais magro, o nada levará para o nada seus restos mortais de terrível odor. E o que lhe restará disso serão duras partes brancas acinzentadas que lhe sustentaram quando vivia.
Mas, o mais interessante é que ele continuará vivendo.
Seu sangue continuará correndo pelo corpo de seus frutos, herdeiros de seus traços que um dia viverão a morte que seu pai viveu. Não digo que começarão a viver a morte do mesmo jeito que foi tirada a vida de seu pai, mas de um jeito ou de outro retornarão ao pó.
E o clico morto continuará vivo de tão fundo, de tão defunto que só ele é.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

... só sei que é confuso demais pra mim. Uma hora sou inverno, e depois eu sou verão. E quando identifico cada estação em mim, não me amo por completo, me detesto.
Falta-me mais fôlego.
Eu afoguei o mar dentro de mim. Quase morri de tanta salinidade!
E procuro fujir da realidade, perco tempo e nada muda.
Bebo água doce pra baixar minha pressão, já que ela está a mil... e como se não bastasse, tento fujir de mim mesma, do que sou, pois meu maior inimigo sou eu mesma.
Eu me traio, me ofendo, me machuco e me desfaço.


O que me restam são palavras vazias, nem adianta murmurar...

O arrependimento vem tão forte,
tão fino, tão agudo
que chega a desafinar minhas pregas vocais.
E se ele chegasse a me deixar sem voz,
diria que eu mereceria.

O que me sobram são vazias palavras, nem adianta eu me queixar...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Fá Sustenido menor. F#m

Fujam de mim, fantasmas incoerentes de vozes sóbrias, que se disfarçam entre minhas agonias!
Que cale-se dentro de mim o meu maior desespero,
pra que um dia eu possa ter meus cabelos brancos e ter meus sessenta anos tranquilos.
       Morreram alguns sonhos meus,
agora o que tenho são folhas secas, como células mortas...
São tantos Móveis Coloniais de Acaju que já me enjoei de tanta castanha, de tanta gente estranha, de tantas idas à Alemanha.
Fure  minha garganta pra deixar sair minha voz,
beije minhas pálpebras pra liberar este meu pranto.
É só por um estante, por colcheias de segundos.
Na asas de um moribundo...

Quero ser árvore da w3 sul,
quero ser o Relógio da Praça de Taguatinga.
Quero ser um pedaço da Ponte JK, morar na Praça dos 3 Poderes
e ser flor do seu jardim, ser alecrim prateado.

Quem sabe ser o Ouro da tabela periódica,
ou uma tecla de piano velho.
Me deixe ser, me liberte de mim mesma...
De mim mesma.
Fá,
de vez em quando, sustenido,
e depois menor.

Daqueles que a gente não vê, mas sente.

Correria de vida, de pensamentos.
Correria! Divida seus bons momentos.
São poucas dívidas e orçamentos,
São boas vindas de nus lamentos.

A força do tempo catalisa seu envelhecimento,
a glória do vento faz cair seus argumentos...

E por mais que você pense saber tudo sobre o nada,
seu orgulho te esfrega na cara que você não sabe nada sobre o tudo.

E quanto mais você se tem,
mais pros outros você se doa...

A gente é que é teimoso,
aquilo que você não quer você faz,
aquilo que você faz, não quer.
Pode não ser assim na maioria das vezes,
mas sempre acontece,
vulgar se repete,
aquela música de letra fútil que você detesta,
acaba se internalizando, fazendo parte da sua trilha sonora...
E muitas vezes, por amor/respeito aos outros, você se emudece,
e com tantas constantes, amadurece.
E se esclarece.
E começa a se chover de tanta sequidão...
Gerando frutos e flores que te darão alegria.
É só questão de tempo, de paciência.

A força do tempo catalisa  seu crescimento,
a glória do vento te faz se sentir mais  vivo. Sepultamento.

O tempo, o vento.