quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Meu MPBonito

Todo dia, novo dia, é uma coisa nova
melodia, nostalgia, é choro na cova
o que será que o amanhã reservou, pára o tempo
se você conseguir conter o vento
e decifrar este meu lamento
que foje de mim
.
É quase noite, quase janta
e você comigo,  a lua branca prateada
ilumina o amigo da onça,
quem quiser ver é só imaginar...
.

O impossível quis chover ontem hoje de noite cedinho
e o mais incrível é que eu viajei pelo som  da amarela, girassol enfeita a janela.
E o mais incrível é saber que o sabiá sabia que e não sabia assobiar
quis tirar onda cantando Toquinho, é de se orgulhar
que é ave pequena de alma infinita a me tocar...
o tempo parou o vento ao congelar...

Poeta é ser canção?

*Guilherme e eu.
Outrora estou na proa, sem vela e remo...
O barco é meu e os outros o tem, que nem o trem de Águas Claras
tão sujas de prédios que matam nascentes, sufoncando aquilo que deveria
ser vivo para vida viver.
Se eu pudesse, se eu pudesse
ser poeta e não canção, não deixaria o silêncio dominar a náusea que o grito de inocentes produz
em uma caixa vácua.
Faria cores, mostraria brilho,
intrumentalização total da palavra em cadência,
inocência.


Sou canção e não poeta,
limito-me a sete ondas, as do mar de barco à vela.
Limito-me a alguns sustenidos que acidentam a decorrência : a melodia se quebra
e o ritmo se exalta em mim, em momentos de dor.
Sou canção, uma mensagem, um contexto, um palavrão,
um bilhete.
Seu Poeta é que me faz, me faz
ser poesia em Poesília, expressar a arte de ser som na boca dos pobres,
ricos e aflitos.
Sou canção,
sua voz.

Sentiu?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Parada de ônibus.

Perto do fim de se findar o início do mês, do ano.
E paro.
Paro para reler as cartas do meu pote de azeitona.
Paro para rever as fotos de infância, épocas irretornáveis que hoje são inerentes as portas do meu guarda-roupa.
Paro para olhar para o tempo e ver que ele não se importa,
não espera por ninguém,
tem linhas tortas
e  seu fim vai mais além
daquilo que eu chamo de vida, daquilo que eu chamo de experiência.

E paro para olhar para as minhas escolhas, para os meus objetos e objetivos,
para aquilo que não conquistei e ficou no papel, meus adjetivos,
para meus instrumentos em cima da cama, seu trono.
Paro para reparar na briga dos outros e ver quão inútil é se importar
com coisas fúteis que só levam a perca de tempo, de paz.
Paro para tocar.
Colcheia.
Paro para notar que quem diz que me ama
tem uma visão tênue a respeito da minha graça artística. Entristeço-me. Paro.
Paro para escutar a chuva que cai no telhado do vizinho. Ela é igual a que cai aqui.
Paro para aconselhar, dizer o que penso, beijar a bochecha de quem me traz alegria
e é aí que me vejo, que me conheço, que me quero.
Paro para pensar nas minhas amizades, a maioria masculinas.
Paro para pensar nas minhas crianças, são flautas doces aos meus ouvidos.
Paro para pensar na minha mãe, a mulher da minha vida!
E paro para pensar em trocentos bilhões de coisas,
e quando vejo já pensei tanto
que meu cérebro já pensa por si só, me deixando iquieta, extressada e ansiosa.

E paro.
2 segundos.
Penso no que amo.
Paro.
Parábola.
2 segundos.
Não estudei, não estudei.
Parei.
Precisei de descanso,
fiz pouco descaso
da minha mente, do meu corpo,
me desgastei e num sopro
me fiz chorar de nervosismo,
agulhei palavras de egoísmo e
surtei, caí no sono.
E ainda assim, amanhecendo em meio a noite
não consegui ficar em paz.
Porque o que eu precisava era parar.
Parar.

Pare.