Já experimentei outros,
já beijei muitos,
me casei com o clarinete, mas quero divórcio.
Já namorei violões,
Passei dias com o pife,
já tentei conquistar o berimbau,
me apaixonei pela flauta-prateada que transversou meus sentimentos,
já me deixei levar pelas baquetas
tive momentos de infância-feliz com a escaleta.
E o que poderei dizer?
O que eu poderia fazer se este outro, com sua grandeza, domina meus sentidos?
Suas três válvulas coronárias fazem pulsar em mim
um desespero apaixonante por querer ter ele em mim, por completo.
Sei que ele não permitiria tal coisa...
Por mais que eu o tenha tatuado em minhas costas não é o suficiente,
por mais que meus dedos se tornem mãos fortes ao tocá-lo,
ele ainda não se tem em si para mim.
Ainda o conquistarei com meu amor!
Seremos um só.
Farei ele feliz ao dar som a ele. O meu som!
Só preciso de uma chance em meio a tantos compassos binários,
em meio a tantas semifusas e batutas.
Sua beleza atrai a muitos, mas não mais do que a mim.
Por poucos segundos_ na casa do presidentíssimo Lula, agora da Dona Dilma_ estive diante dele.
Sua calda envernizada, suas teclas pesadas e amareladas me
deixaram mais angustiada por saber
que ele fica morto durante dias lá.
Ninguém, nem o funcionário-músico que trabalha lá, dá o prazer
para ele de produzir ondas sonoras.
Eu não aguento!!
Preciso de um.
De calda, de armário ou ainda eletrônico!
Preciso!
Porque de todos, porque de muitos,
porque de milhares de instrumentos que possam existir
ele é o maior!

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O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a humildade.Provérbios 15:33