segunda-feira, 15 de novembro de 2010

De Palavras.

Não consigo entender como as palavras escapam de mim,
fluem do meu ventre e voam afora
como as borboletas do meu estômago,
causadoras de frio na barriga .
Na tpm, na alegria em níveis de estranheza,
em momentos de choro, na nudez da tristeza,
em revoltas e reviravoltas de sentimentos diversos,
de versos,
é incrível!
É maior que eu, não posso conter esse pulsar.
Seja onde eu esteja, no ônibus, na fila,
no metrô, na rua, em casa, no quarto, no vento,
em meio a árvores e asfaltamentos,
diante de um piano ou de um sorriso,
de uma criança ou de um serviço,
do cheiro de UnB da Ceilândia,
na aula de Bioquímica, no Nikolândia.
Sem perdão, sem pedir licença
sem educação ou pouca descência
a batuta chama minha mão direita
pra reger essa orquestra;
batuta que eu invento: caneta, lápis, papel ao vento.

Orquestra não de instrumentos,
não de cordas ou metais,
nem de madeira ou percussão,
mas de voga-consonantais.
Muitas delas!São muitas!
Grandes,pequenas, raquíticas e gordas,
palavrões enormes, sentiu?
Tenho ensaiado tanto essa orquestra,
só não consegui reger o Aurélio
nem a Wikipédia,
me jogaram no Google, mas me escondi
no Orkut.
Prefiro ser maestrina não conhecida,
de muita fama entre as formigas.
Porque rejo o que poucos conhecem na vera,
rejo o que poucos sabem usar na hora certa ,
rejo o que sai de mim, do livro, do poema, do blog,
do cinema, da Bíblia, do folheto, da música de vírgulas e exclamações.
Prazer, Maestrina de Palavras.
Não por orgulho, mas pra que você fique sabendo
que mesmo eu não te vendo
serei sua pequena expressão, em dia de emoção.
Onde o agricultor o terreno lavra,
onde rejo  Orquestra de Palavras!

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O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a humildade.Provérbios 15:33