Folhas secas, rostos molhados...
Céu em luto e minutos mortos.Morrindo?
É, por quê não?
Morreu rindo, feliz.
Feliz porque ia viver...
Ia viver de tanto morrer!
Fez o que fez, amou que amou, quem o amou e quem o odiou.
Se doou, ajudou, pecou, transgrediu, teve suas felicidades.
E o que lhe resta agora é um buraco escuro, um pouco mais perto do lençol freático, mais pertos de góticos e couveiros.
Vai estar agora confortável, coberto de perfumes florais. Também vai usar eternamente uma roupa na qual nunca pensou em comprar pra si. Vai viver só. Quer dizer, não tão só... terá vizinhos nas mesmas condições que ele.
As únicas coisas que poderá sentir serão as lágrimas que cairão no seu teto e as pisadas que farão tremer sua nova residência.
Com o tempo, ele se sentirá mais magro, o nada levará para o nada seus restos mortais de terrível odor. E o que lhe restará disso serão duras partes brancas acinzentadas que lhe sustentaram quando vivia.
Mas, o mais interessante é que ele continuará vivendo.
Seu sangue continuará correndo pelo corpo de seus frutos, herdeiros de seus traços que um dia viverão a morte que seu pai viveu. Não digo que começarão a viver a morte do mesmo jeito que foi tirada a vida de seu pai, mas de um jeito ou de outro retornarão ao pó.
E o clico morto continuará vivo de tão fundo, de tão defunto que só ele é.
Thaly, eu sinto muito. Quem foi? (se foi)
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