quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Finas.

É tentando me costurar pelo avesso que
descubro ser eu dona de sentimentos e pensamentos que eu repugno.
Detesto tê-los aqui dentro, venho descobrindo aos poucos, sem querer, a existência de tais tecidos quase transparentes que ficam dessa maneira por minha consciência
estar submetida a leis, normas e às minhas próprias cobranças.
    A palavra que eu rejeito ou que
eu procuro não fazer viva em mim, por si só me cobre em seu relento. Basta eu tingir esses tecidos cor-d'água que percebo sua presença a me tanger.
Quisera eu destruir esses cobertores que não me isentam do frio.
Assim, não carregaria nenhuma trouxa, isto é, nenhuma culpa.
Contudo, o que me ocorre é que estou constantemente diante do lavatório, deixando meus erros
escorrerem ralo à baixo, tentando preservar minhas vestimentas.
E quando preciso, estou lá, diante de uma vitrine, subjulgando qual o melhor
SOBRETUDO que pode me proteger do frio e
que no calor me proteja de ultravioletas de violências psíquicas e lógicas, psicológicas.
E assim prossigo meu caminho, me costurando por dentro,
para que por fora eu sirva de referencial. Não que sou a favor do modismo. Longe de mim toda manifestação de resultados alienadores.
O que justifica tal intenção são minhas próprias exigências,
linhas e agulhas que precisam estar costurando em todo tempo.
Por fim, acabo me ferindo, perfurando minhas digitais
e me remendo com alfinetes que molhados por lágrimas
 enferrujam-se
e me sujam de novo...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tempo destampado.

Aquilo que se cansa
   se deflagra, se descansa.
Aquilo que se tem na veia
  se avermelha, se dessangra.
Aquilo que era pra ser futuro
  se almeja, se planeja.
Aquilo que era seu passado
  se esconde, é avesso por dentro.
O gorro vermelho fez-se ilusão na adolescência.
O sopro na vela foi relance pra quem fez cinquenta.

O tempo era seu aliado, mas quebrou seu relógio e por fim te atrasou.
E a chuva seca de pomares livres fez-se longe ao seu descanso,
fez-se rebelde ao seu descaso,
fez-se branda no mês de janeiro, 
fez-se desfeita ao refazer do que foi feito.

São os anos passando, a idade chegando...

Chegando pra que? 

Indagam à morte. E, por fim se amendrotam à sua sombra.
Perguntam-me se estou preparada e eu retomo as palavras e as refaço em você.

Estás preparado?
Como tem se preparado?
Valoriza o que te ocorre, os que te cercam, sua própria vida?


Uma geração vem, outra se vai.
Uma é refém, a outra se faz.
E o tempo nunca pára.
Nunca se cala.
Nunca tem tempo para si.
Quanto mais para mim.

Pararam-me !

domingo, 9 de janeiro de 2011

Bumerangue a sangue.

Minha mente repuxa e empurra.Minha testa chove e esquenta.Meu motor funciona e desliga.Minha flor é vermelha e sangrenta.Mecanismos em energia por emoções, o controle _é difícil_manter as estações.Qualquer milagre alegra, qualquer deslize altera e assim  esse bumerangue em mim age me deixando exausta.Vai e volta, verde ou branco e tenho que me adaptar ao seu tamanho.Uma semana antes que me leva a viajar antes mesmo de eu partir.Conheço meus mundos, exploro os dos outros, experimento sentimentos, que por sua vez me fazem sentir mal, me fazem ser mau.Por fim, o que me resta é esperar o tempo, o chocolate, o meu amor, o meu desgaste levarem uma porção de vida minha embora, por via líquida, insípida. Fico fraca, vem a dor e mês que vem se repete a trajetória.

35Kg de perfeição.

Carrego o peso do perfeito.
Carrego a máquina sem defeito.
E onde me colocaram se não foi aqui, para aprender a viver errando?

Não aceitar o meu preto no branco
o meu erro no ganho 
é desconsiderar o que sou de natureza antiga.
Assim sou.
Mas não preciso me conformar com isso, daí assopro o muro, 
achando que vou movê-lo.
Daí, chego perto do alvo, porém não me conformando com o quase.

Ninguém me critica tanto como a minha prória mente.
Ninguém me reprime tanto quanto minhas próprias indagações.
E é num chover de gelo que me corto e desanimo minhas forças, me derretendo.
Luto contra. Tem hora que sou razão.
Permaneço. 
Porém, outrora sou emoção.
Enfraqueço.
E cada vez mais me confundo com 35 Kg de coisas que nem fazem parte parte de mim,
por fim, permito que isso me engorde.
Tento não me deixar levar. Peço forças, mas minha fé temeu o medo. 
E as sombras de tudo, 
daquilo que consiste o mundo, 
as pessoas, seus sentimentos, 
eu mesma de agudos argumentos 
me fazem gotejar em pingos frios. 
Corro para o Bem, mas não consigo enxergar, está nublado.
Espero não esperar mais.
Preciso da paz de volta.
Ninguém a tirou de mim. Ela está aqui, só não consigo achá-la no meio de tanta bagunça.

Espero que quem me ame, me ame mais forte.
Seja quem for.
Mais forte.