terça-feira, 22 de junho de 2010

Alecrim no deserto

Delírios há em minh'alma,se escorrem gritos de dor.
Onde está meu açucareiro?
Onde está o meu amor?

Confronto-me no espelho: palidez e magreza singela,
produtos da gripe, do desgaste e da ausência de ape-amor-tite na panela.

Onde está teu açucareiro? O confeiteiro me pergunta.
Sua faca, onde está? Me indaga o açougueiro.
Digo que não sei onde ambos estão,os tiraram de mim e fiquei desarmada, fiquei sem sabor e por conta disso a Senhora Sólida Solidão tomou-me de vez que nem percebi.
A Solidão é traiçoeira. Chega que nem gato chega na gente. Vem se alisando entre nossas pernas, finge de mansinho e ganha nossos braços pra finalmente atacar nossos olhos com uma zunhada fatal!
A Sólida Solidão solidifica o liquidificador liquidando meu licor luteilizante, minha dor dormificante, me fazendo ser semínina sem as mínimas das ideias.

Por um lado gosto disto,
penso que é melhor assim;
vai passar, está passando.
Plantei semente de alecrim.

2 comentários:

O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a humildade.Provérbios 15:33