terça-feira, 6 de julho de 2010

Dor

Um pingo, uma gota.
Escândalo de chuva
que emana do meu pote de sangue.
Desespero angustiante,
agonia de abelhas delirantes ao vento.

Silêncio.
É a única coisa que posso fazer em meio a isso que sinto.
Calar meus olhos,
ouvir pela boca,
chorar pelos ouvidos
e deixar que mais essa vez se passe, se morra.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Auto-explicação, para mim de sol mesmo!


E para mim mesma que escrevo,
no final de meus textos, vejo um ponto de interrogação.
São loucuras minhas.
Como eu disse antes, amantes da arte podem entender o que tento expressar.
Mas, mesmo assim não deixa de ser confuso.
Só sei que amo juntar as palavras que, de fato, estão fora do contexto umas das outras, porém é assim que se manifesta minha idiossincrasia.
Mania de fritar as coisas, mania de flautear meu eu-não-lírico,
mania de dar à luz emoções verdes, toda hora. Mania de ser vidro.

De ser colcheia.

Frite-se

Ovo frito, olho frito,
mandioca frita, sol meio frito,
sabonete frito, abraço frito,
dinheiro frito, fome frita,
Arruda frito,Arruda todo frito!
Rock'n roll cozido, impressora assada,
meus pesames congelados, lasanha congelada.
E o que mais poderia estar assim?
Se nem eu sei o que é melhor pra mim?
Que meu cérebro cozinhe e que sua sopa sirva
para alimentar alguém, porque
estou exausta de correr atrás do trem.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Gosto tanto *-*

Águas de março
(Tom Jobim)



É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol...

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no c éu, é uma ave no chão
É um re gato, é uma fonte, é um pedaço de pão...

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto
de mato, na luz da manhã...
Na luz da manhã.